(Texto: Assessoria ABiogás)
O biogás e o biometano são importantes protagonistas no contexto da descarbonização da economia. Os biocombustíveis já têm uma presença consolidada no setor energético brasileiro, e agora a indústria busca ganhar escala, contribuindo para a descarbonização de segmentos estratégicos para o Brasil, como Agronegócio, Transportes e Indústria. Por isso, a Associação Brasileira do Biogás (ABiogás) esteve presente na COP 28, em Dubai, participando de painéis estratégicos para o segmento, além de agendas de nertworking. Durante sua presença no evento, a ABiogás assinou um termo de cooperação técnica com o Instituto E+ Transição Energética (05/12).
A presidente executiva da ABiogás, Renata Isfer, participou do painel “O Papel da Bioenergia na Descarbonização”, promovido no estande da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Foram abordados os meios de impulsionar o emprego da bioenergia como estratégia para a descarbonização, considerando os desafios, as oportunidades e as metas de mitigação e adaptação climática. O público-alvo é formado por CEOs de empresas nacionais e internacionais, lideranças governamentais, parlamentares, organismos internacionais e congêneres da CNI.
No dia seguinte, 5 de dezembro, Isfer esteve no estande do Consórcio Brasil Verde para debater a “Transição energética no sul global”. Na sexta, dia 8, participou de um painel conjunto da ABiogás com a ABeeólica, a Absolar e a ABIHV sobre o tema “Transição Energética Justa – o protagonismo brasileiro”.
O Governo Brasileiro tem avançado significativamente no setor energético por meio do lançamento do Novo PAC, do Plano de Transformação Ecológica para acelerar o crescimento econômico, e do Projeto de Lei Combustível do Futuro. Essas iniciativas representam uma grande mudança para o setor energético e para a economia como um todo no Brasil. O país notoriamente lidera a transição energética verde e busca, agora, regulamentação para novas tecnologias, investimento para crescer e refletir este crescimento na sociedade brasileira. Essas foram as reflexões apresentadas pelas principais Associações Brasileiras do setor: ABiogás, Abeeólica, Absolar e ABIHV. A presidente executiva da ABiogás, Renata Isfer, dividiu o debate com Elbia Gannoum, presidente executiva da ABEEÓLICA, Fernanda Delgado, diretora executiva da ABIHV e Heloisa Borges, diretora de estudos de petróleo, gás Natural e biocombustíveis na Empresa de Pesquisa Energética (EPE), moderadora do painel.
Com mais de 85% da matriz elétrica nacional e 44,7% da matriz energética provenientes de fontes renováveis, é fundamental mostrar ao mundo a capacidade de produção de biocombustíveis e geração de energia renovável, além dos avanços em tecnologias que podem atrair investimentos para atender à demanda futura. As entidades mostrarão que o Brasil lidera a transição energética verde e busca novas oportunidades para crescer.
No domingo, dia 10, a ABiogás encerrou a sua participação na COP, no estande do Setor Produtivo do Brasil, com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), durante o painel “Transição energética – Potencialidades do Agro Brasileiro”. Em sua fala, Isfer abordou o tema “Biogás e biometano na independência energética do agro”. Nesse dia, a CNA também realizou o Dia do Agro, no pavilhão do setor produtivo brasileiro na COP, em que especialistas brasileiros e estrangeiros, representantes do governo, embaixadas, organismos internacionais, empresas, entidades do setor produtivo e produtores rurais dicutiram temas voltados para a produção sustentável no Brasil e no mundo. A entidade defendeu o reconhecimento do agro como peça-chave nas soluções para garantir segurança alimentar e energética no mundo, por meio de ações e tecnologias que contribuam para reduzir as emissões de gases de efeito estufa e promovam a mitigação e a adaptação ao aumento da temperatura global.
Termo de Cooperação técnica Abiogás e Instituto E+ Transição Energética- o documento foi assinado pelas partes em Dubai, no dia 5, logo após o painel “Transição energética no sul global”, no qual estabeleceu uma parceria estratégica com o objetivo de promover a transição energética, e principalmente, a mitigação das emissões de metano. O acordo prevê desde possíveis desenvolvimentos de projetos em conjunto, incluindo concepção e implementação, voltados ao biogás e à redução dessas emissões, projetos de pesquisa e desenvolvimento (P&D), compartilhamento de conhecimentos técnicos e científicos, capacitação, realização de cursos e treinamentos, eventos em conjunto voltadas para a transição energética, e para disseminar boas práticas, apresentar resultados, e intercambio de excelência.
Sobre a agenda da Abiogás na Cop 28 – A ABiogás tem reforçado uma agenda positiva e propositiva junto ao Ministério de Minas e Energia no sentido de destacar as potencialidades do biogás e do biometano no Brasil, apontando para as necessidades do setor para que haja ainda mais avanços em escala. Dentre os principais pontos, a entidade destacou:
– O biogás e o biometano são fontes de energia com maturidade tecnológica e que podem se tornar protagonistas da transição e segurança energética no Brasil.
– São estratégicos para a neoindustrialização verde, promovem a economia circular e o aproveitamento de resíduos, transformando passivos ambientais em ativos energéticos
– Um diferencial importantíssimo é que a produção de biocombustíveis no Brasil não compete com alimentos. O biogás é produzido apenas a partir de resíduos, gerando mais energia com o que é atualmente desperdiçado.
– O Brasil é uma liderança em biocombustíveis, com o etanol e o biodiesel, e em breve será ainda mais com o biogás e o biometano.
– O biogás e o biometano são viáveis em todas as escalas e em todas as regiões e são parte da solução para os setores de difícil descarbonização, como o transporte, a indústria e a agropecuária
– O biogás é uma fonte de energia elétrica contínua, estável e despachável nos horários de pico
– O biometano é complementar e intercambiável com o gás natural, não precisa de adaptação na infraestrutura existente, e contribui para a universalização da oferta e cria novos mercados para o gás. Pode substituir o diesel no transporte pesado e o GLP no interior do país, com redução de custos e de emissões.
– O PL Combustível do Futuro é o instrumento ideal para que trazer um plano nacional de biometano, uma política pública dedicada a incentivar este combustível com todos os seus atributos socioambientais e econômicos par ao Brasil atingir todo o seu potencial.
– A criação de uma demanda mínima é uma sinalização importante para investidores, criando oportunidade de negócio para os produtores com a valorização do atributo ambiental, além de ser uma sinalização do governo brasileiro no seu posicionamento de liderança para a transição energética.
– O biogás também é estratégico para o atingimento das metas do Acordo de Paris. Com o potencial brasileiro de biogás, pode-se reduzir as emissões anuais em mais de 100 milhões de toneladas de CO2 equivalente.
– O Brasil precisa mostrar ao mundo que pode contribuir para a transição energética mundial, produzindo insumos renováveis e produtos com baixa pegada de carbono.