Desafios e oportunidades na liderança global em biogás (World Biogas Association – WBA)

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No mais recente episódio (40) do podcast Amplum Biogas, Vanice Nakano teve a honra de receber Charlotte Morton, CEO da World Biogas Association (WBA) e uma das maiores referências globais no setor de biogás.

Advogada de formação e executiva com MBA pela London Business School, Charlotte lidera iniciativas internacionais que posicionam o biogás como solução estratégica para os desafios climáticos. Ela também foi reconhecida com a Ordem do Império Britânico (OBE) por suas contribuições à indústria.

Além disso, Charlotte compartilhou sua visão sobre os caminhos para a expansão global do biogás, destacou a importância de políticas públicas e marcos regulatórios eficazes, e comentou o papel estratégico que países como o Brasil podem exercer nesse cenário.

Confira o episódio na íntegra tanto no Spotify como no Youtube

A missão da World Biogas Association (WBA)

A criação da World Biogas Association (WBA) teve como principal objetivo conscientizar o mundo sobre a importância de reciclar resíduos orgânicos e viabilizar o aproveitamento dessa oportunidade.

“A Associação Mundial de Biogás foi criada há pouco mais de oito anos, principalmente para garantir que o mundo estivesse ciente de quão importante é, e quão emocionante seria, se pudéssemos reciclar todos os resíduos orgânicos que nós, humanos, geramos todos os anos. E também para facilitar a entrega dessa oportunidade e tecnologia”, explica Charlotte.

Então para tornar isso possível, a WBA atua ativamente no desenvolvimento de um modelo de estrutura regulatória global para o biogás e de um Esquema Internacional de Certificação da Digestão Anaeróbica, iniciativas que visam apoiar o crescimento sustentável da indústria ao redor do mundo.

Desafios globais e a urgência do biogás

Ainda sim, mesmo com os avanços no setor de biogás ao redor do mundo, Charlotte reforça que a transição energética ainda precisa ganhar velocidade para que as metas climáticas globais sejam de fato alcançadas.

Segundo ela, o ritmo atual das transformações é insuficiente para cumprir os compromissos assumidos no Acordo de Paris e no Compromisso Global sobre o Metano. É preciso agir com mais rapidez e ambição! 

Superando os desafios para a expansão do biogás

Na entrevista, dois grandes desafios são identificados por Charlotte para a expansão global do biogás:

1 – Financiamento: a viabilidade financeira dos projetos depende da capacidade de atrair investimentos. No entanto, isso só acontece quando os investidores encontram um ambiente regulatório que ofereça segurança e permita atingir uma taxa interna de retorno (TIR) compatível com os riscos envolvidos.

2 – Regulamentação: em muitos países, simplesmente não há um marco regulatório adequado para o biogás, o que dificulta o desenvolvimento de projetos e o acesso a recursos. Como Charlotte pontua: “Em muitos países, simplesmente não existe um ambiente regulatório apropriado. É muito difícil para os desenvolvedores montarem um projeto que seja capaz de levantar fundos.”

Você também pode se interessar por: Digestão anaeróbia: do biogás ao biohitano

A Importância do Brasil para a WBA e o crescimento do biogás

Charlotte destaca que o Brasil tem grande importância estratégica para a WBA, devido ao seu enorme potencial, à grande população e à abundância de resíduos orgânicos. 

Charlotte Morton – CEO World Biogas Association (Foto: WBA)

“O Brasil é absolutamente um dos nossos países prioritários. É vasto, com uma população expressiva, um lugar lindo e uma quantidade significativa de lixo orgânico, o que cria uma grande oportunidade para o país”.

Para apoiar o crescimento do biogás no Brasil, a WBA está desenvolvendo um roadmap específico, complementando as iniciativas já em andamento do governo e das associações locais.

Padronização e certificação

Segundo Charlotte, a criação de padrões claros e a padronização da certificação do biogás são fundamentais para garantir a segurança, a saúde e a proteção ambiental nas usinas, além de otimizar a utilização da infraestrutura existente.

“O Esquema Internacional de Certificação define padrões mínimos para o desempenho de saúde, segurança e meio ambiente em uma usina de biogás, o que é absolutamente crítico”, destacou Charlotte.

Contudo a adoção desses padrões não só assegura o bom funcionamento das usinas, mas também fortalece a reputação positiva da indústria, afastando percepções negativas e atraindo investimentos para um crescimento mais sustentável. 

Confira as indicações da nossa convidada: 

Livro – Mulheres invisíveis: o viés dos dados em um mundo projetado para homens –  Caroline Criado Perez.

Siga nossa convidada: Charlotte Morton.

Siga nossa âncora: Vanice Nakano

Escute no Spotify 

Esse episódio é um patrocínio da Ultragaz – Com todo o gás, em todo o lugar!

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