A transição para uma agropecuária mais sustentável está intimamente ligada ao uso eficiente de resíduos e ao aproveitamento de culturas agrícolas específicas para geração de energia. Nesse cenário, a produção de biogás se destaca como uma alternativa promissora.
Quem compartilha uma visão prática e inspiradora sobre o tema com Leidiane Mariani, é Pedro Kohler, diretor da BioKohler Biodigestores.
Acesse a sua plataforma favorita e confira essa conversa na íntegra, seja no Youtube ou no Spotify!
Da pecuária leiteira ao biogás: o início de tudo
A jornada de Pedro junto ao biogás, teve início em 2000 na propriedade da família. A partir da necessidade de água quente para higienizar a ordenha. Sem internet e com pouca informação técnica disponível, ele persistiu na tentativa de fazer um biodigestor funcionar com dejetos de gado de leite. Após muitas tentativas e aprendizados, o primeiro biodigestor da fazenda passou a operar com sucesso.
“Desde 2000, não compramos mais botijão de gás. Toda a casa é aquecida com biogás”, conta Pedro.
O papel das culturas energéticas: inovação no campo
Além dos dejetos animais, Pedro destaca o uso de culturas energéticas como um fator-chave para aumentar a eficiência dos biodigestores. Culturas como capim elefante, sorgo biomassa e milho têm sido usadas em experimentos na planta da BioKohler, em parceria com a Embrapa.
Essas culturas ajudam a equilibrar a relação C/N (carbono/nitrogênio) e garantem um fornecimento contínuo de substrato, mesmo em momentos de baixa produção de resíduos pecuários.

“Quando o material tem muita fibra, como o dejeto de gado de leite, prefiro trabalhar com biodigestores acima do solo, pois permite melhor agitação e compactação, reduzindo o consumo de energia”, explica.
Benefícios econômicos e agronômicos
Antes de mais nada, o biogás por si só nem sempre sustenta economicamente uma planta, segundo ele. Mas o uso do digestato como biofertilizante é o que muitas vezes viabiliza financeiramente o projeto. Em sua planta, o biofertilizante substitui fertilizantes químicos e garante alta produtividade nas lavouras.
Além disso, ele defende um modelo adaptado à realidade do campo, com sistemas acessíveis e operáveis pelos próprios produtores — como seu modelo de biodigestor sem agitador, pensado para pequenas propriedades com até 10 ou 15 vacas.
Desafios e perspectivas
A entrevista também abordou temas como:
- Dificuldade de injetar energia na rede elétrica;
- A complexidade de viabilizar o biometano em propriedades isoladas;
- A importância de personalizar soluções de acordo com a realidade do produtor;
- A insegurança regulatória que desmotiva novos investimentos.
Contudo, mesmo diante dos obstáculos, Pedro acredita no potencial transformador do biogás, especialmente quando usado de forma estratégica e integrada à produção agrícola e pecuária.
Conclusão
Atualmente, a experiência de Pedro Kohler mostra que a integração entre pecuária e culturas energéticas é mais do que possível é essencial para a viabilidade técnica e econômica de projetos de biogás no Brasil.
Nesse sentido, esse modelo não apenas reduz emissões e melhora a gestão de resíduos, como também traz ganhos reais na produtividade e sustentabilidade das propriedades rurais.
Para ouvir o episódio completo do podcast da Amplum Biogás, acesse nossos canais oficiais no YouTube
Saiba mais sobre a Kohler Biodigestores
Quer conhecer mais conteúdos como esse? Acesse também nosso canal no Youtube e no Spotify

Episódios citados pela host e convidado no episódio: Podcast Amplum Biogás EP 10- Pré-tratamento de substratos e performance da digestão anaeróbica
Expedição Cresol ep.01 – Energias Renováveis
Outros links citados: https://www.youtube.com/watch?v=sKcHd9Cvy9k e https://www.embrapa.br/documents/1355242/0/Biog%C3%A1sFert+-+Performance+of+up-flow+anaerobic+digester+in+solids+removal+and+biogas+production.pdf
Desde já, mande suas impressões e cadastre-se gratuitamente em nossa Newsletter
Até mais!